sábado, 26 de novembro de 2011

Pilares da Educação

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Aprender a Conhecer

O conhecimento não vem de fora, é um processo de construção e reconstrução interior. Não está nos livros, nos computadores, mas nas mentes das pessoas. A verdadeira aprendizagem é a construção ativa de conhecimentos realizada pelo sujeito que aprende. Não há aprendizagem sem que o aprendiz seja o sujeito ativo do processo, e a aprendizagem será tanto maior e melhor quanto mais ativo ele for.

Aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes. (DELORS 2001, p. 89-101).

Aprender a Viver Juntos, Aprender a Viver Com os Outros

Fazparte da educação, aprender a lidar com pessoas diferentes, tratar de assuntos relevantes, não falar mal dos outros, não usar a força para resolver conflitos, demonstrar gentileza e sinceridade no tratamento com os colegas e professores. É justamente na escola que os alunos aprendem as regras básicas de convivência em sociedade. O que cada professor precisa fazer é abrir espaço a fim de que eles aprendam a conviver, se conheçam e se respeitem. Para que todos possam viver juntos e aprender a viver com os outros, a educação tem um papel importantíssimo, e um grande desafio, já que a opinião pública toma conhecimento através dos meios de comunicação e nada pode fazer.

Aprender a Ser

Se o aluno não estiver preparado para compreender que a educação deve em princípio mudar a sua vida, o seu caráter, para depois servir aos outros, então ela falhou. Ela será apenas um instrumento do egoísmo para dominar aos outros.. Educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa, espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade. Todos os seres humanos devem ser preparados pela educação que recebem para agir nas diferentes circunstâncias da vida. Só que para isso cada um deverá ter pensamentos autônomos e críticos, personalidade própria. Portanto a educação deve preparar as crianças e os jovens para possíveis descobertas e de experimentação.

Je Veux / ZAZ

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O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.
                                                        Drummond 

VIDA ACADÊMICA

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Abri a porta do meu apartamento trazendo nos braços caixas, pastas, que recebi dos professores, com livros e textos para estudo da minha pesquisa. Naquela noite, em especial, voltava da universidade fadigada, de modo que a cabeça pouco agia, pois era fim de semestre de uma conturbada rotina acadêmica cheia de avaliações. Joguei as chaves do carro no chapeleiro antigo que ganhei de herança da minha avó, logo entrei. Minha gata, Lela, rosnava para mim diante da porta com o seu insaciável apetite, não há outro momento de carinho dela por mim, somente ao exigir sua refeição. A cadela, Amélie, esparramada no sofá nem levantou as sobrancelhas ao me ver, talvez entediada de roer os pés da mesa de jantar.

Lá fora, os sons são os mesmos de todas as noites – as crianças barulhentas brincando no pátio do prédio, a televisão em alto volume vindo do apartamento vizinho, cujo proprietário é um velho surdo chamado Senhor Elias e a briga constante do casal estressado vindo de outro apartamento. Fui para o meu quarto, o lugar da casa que posso ter um pouco de sossego, revirei as caixas com os livros esperando algo cair do céu ou tentando absorver o conteúdo como mágica. O telefone tocou, era uma amiga que falava com voz preocupante: – O prazo para entregar o conto termina amanhã, logo cedo, pela manhã! Fiquei desolada com a notícia e as pilhas de leitura, no entanto, ignorei-as e saí do meu quarto buscando certo animo, quem sabe se eu espairecer a mente trabalhará melhor?

Peguei as chaves do carro, ansiosa para livrar-me do mundo acadêmico por alguns minutos, desci as escadas saltitando degrau por degrau. Na garagem, deparei-me com o carro do Senhor Elias trancando o meu, o porteiro, sem demora, retirou-o. As chaves do carro do Senhor Elias está sempre na portaria, aquele coitado nunca faz nada direito, deve ser a idade que o impede. Entrei no carro, coloquei a chave na ignição, virei-a, engatei a ré, saí da garagem com certo cuidado para não arranhar as novas calotas metalizadas. Tinha mandado lustrar o carro na melhor loja especializada, eu precisava ver como o ele ficou reluzente sob a luz da lua.

Voltei à Universidade, estava vazia, já passava das dez, era ali, próximo ao Setor II, a maioria das pessoas que frequentam o local já haviam ido para suas casas, a parada do circular estava vazia. Era o lugar ideal, entre o CCHLA e o Setor, a rua estava escura. Restava esperar que aparecesse apenas um, não importava a cor, a raça, o sexo, o tamanho. Não fazia diferença.

Então, eu o vi, parecia ser macho, grande, altivo e imponente. Ele caminhava tranquilamente no canteiro central, enquanto eu aguardava a hora certa de atacá-lo. Logo, desceu para o asfalto, milimetrei os centímetros para pegá-lo de cheio, calculei os segundos de cada passada com o tempo do impacto, apaguei os faróis e arranquei. Ele só percebeu que o carro se aproximava quando ouviu o barulho do cantar dos pneus, mas já era tarde. Dizem que os gatos são espertos, conseguem fugir com destreza, mas não desta vez. Ouvi o grito estridente e o barulho dos ossinhos se quebrando. Freei rapidamente, olhei pelo retrovisor interno e o vi agonizar, lutar pela vida, debater-se. Senti que não poderia deixá-lo assim, ainda com vida, teria que completar o serviço para o meu bel prazer. Dei ré, passei por cima da cabeça macia, sentindo como algo explodisse suavemente. Passei a primeira e parti para meu lar. Carro potente, ótimo motor.

De longe, olhei novamente pelo retrovisor, ainda deu pra ver o corpo do gato, agora sim, ele estava paralisado no meio da pista com sangue e miolos ao seu redor. Começou a chover, não precisei me preocupar com marcas no carro, a chuva havia limpado os restos. Cheguei ao prédio, guardei meu carro, examinei cada parte para ver se estava tudo no seu lugar, orgulhosa pela façanha, pois poucos tinham a mesma habilidade no volante. Subi ao meu apartamento, Lela já havia dormido satisfeita com o seu jantar, Amélie continuava sem alertas no seu canto de sofá. Então, voltei a minha pesquisa e com a mente mais disposta, finalmente pude escrever o conto para a bendita avaliação de literatura.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O PRÍNCIPE, O MESTRE E A ÁGUIA

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Era uma vez uma rainha cujo marido havia morrido quando seu filho tinha somente cinco anos. Ela foi então nomeada regente do reino até que seu filho completasse 18 anos e fosse capaz de governar.
O único defeito da rainha era que amava demasiadamente seu filho, Hasan, e lhe permitia fazer qualquer coisa que desejasse. E assim, apesar de ser uma boa monarca, o seu filho ficava mais e mais teimoso e cheio de caprichos à medida que crescia.
Um dia a rainha chamou o seu grão-vizir e lhe disse:
“Diga-me francamente, o que posso fazer com meu filho? É insolente, orgulhoso e muito difícil de controlar. O que posso fazer para corrigir os seus defeitos agora, antes que seja demasiado tarde?”
O grão-vizir respondeu:
“Coloque o príncipe aos cuidados de um mestre, assim ele poderá adquirir sabedoria.”
“Onde há um mestre que possa ajudar meu filho?”
“Neste momento encontra-se na cidade um velho homem sábio que dirige Al Azar, a universidade do Islã. Irei falar-lhe, direi que o príncipe necessita do seu ensinamento e talvez ele queira vir.”
“Traga-o imediatamente, se puder” – disse a rainha.
Então, o grão-vizir partiu e logo retornou com o mestre, que tomou o príncipe sob os seus cuidados.
Todos os dias o ancião e o menino sentavam-se para estudar.
O mestre lhe contava sobre as maravilhas do mundo, da sabedoria do sagrado Corão e da ciência exata da álgebra.
Todas as semanas a rainha mandava buscar o mestre e perguntava:
“Como está progredindo o meu filho?”
O mestre sacudia a cabeça e se retirava.
Um dia a rainha lhe perguntou:
“Meu filho agora está progredindo, mestre?”
“Ele ainda não aprendeu que um príncipe deve ser humilde, que um rei é um servidor de seu povo e que não há poder a não ser em Deus.”
“O que podemos fazer?” – perguntou a rainha.
“Majestade, deixe-me levá-lo para viajar comigo, se pudermos estar mais perto da natureza talvez isso ajude a mudar o seu caráter.”
A rainha aceitou, os dois partiram vestidos com roupas simples como as que usam os andarilhos.
No fim do primeiro dia de viagem, quando se sentaram para fazer café ao lado de um pequeno fogo, dois pássaros apareceram como do nada, pousaram sobre o alforje do ancião e começaram a gorjear.
“Faz muitos anos que aprendi a linguagem dos pássaros, mas agora me arrependo de tê-lo feito.”
“Por quê?” – perguntou o príncipe.
A princípio o mestre não queria explicar a Hasan o que os pássaros haviam dito, mas o menino insistiu tanto que afinal ele falou:
“O primeiro pássaro estava dizendo que no tempo em que fores rei haverá grande regozijo entre os pássaros quem comem frutas, pois os jardins e os hortos serão abandonados e os pássaros poderão alimentar-se em paz. Ninguém os incomodará porque todo o povo destas terras terão ido embora. Ninguém irá querer viver sob um reinado tão impopular.”
“Que dizia o outro pássaro?” – perguntou Hasan.
“O segundo pássaro disse que ele também ficará contente, pois haverá muitos gafanhotos para comer. Não haverá gente suficiente para atear fogo nos campos e afugentar os gafanhotos quando eles chegarem.”
No dia seguinte chegaram a um oásis omde os camelos estavam começando a fazer ruídos, como resmungos, entre si. O ancião sorriu ao escutá-los.
O que estão dizendo os camelos? – perguntou o príncipe.
A principio o mestre não quis responder, mas Hasan insistiu e finalmente ele falou:
“Eles estão se queixando porque quando fores rei haverá tanta gente aqui dando de beber aos animais e preparando-se para abandonar o país para viver em outro lugar que será muito difícil para eles virem beber” – disse o mestre.
O príncipe e o ancião seguiram por alguns dias até que pararam ao pé de uma montanha muito alta onde, sobre uma ponta rochosa, havia um ninho de filhotes de águia.
Ao se aproximarem, puderam ouvir a águia piando a seus filhotes, o ancião traduziu:
“Ela está dizendo a seus jovens filhos que quando ficarem adultos e tu estiveres no trono deverão caçar ovelhas nos reinos vizinhos, pois as daqui estarão magras e fracas. As cobras e as lagartixas tomarão sol entre ruínas da tua capital e a grande mesquita estará vazia às sextas-feiras, quando tu fores rei. A menos...”
O mestre parou de falar, mas Hasan lhe disse:
“Por favor, diga-me o que disse a águia.”
“Ela disse que se corrigires tua conduta agora e melhorares dia a dia. Então teu nome será querido e teu reino será grande e feliz.”
O príncipe não falou, mas o mestre viu que estava refletindo sobre tudo que havia ocorrido.
“Voltamos agora ao palácio para continuarmos com os nossos estudos?” – perguntou o mestre.
Hasan concordou.
Regressaram pelo mesmo caminho que tinham ido e o mestre alegrava-se em ver que seu aluno era cada dia mais amável e reflexivo. Finalmente, o príncipe parecia haver compreendido o que significavam as suas lições e agora realmente se esforçava por aprender.
O ancião foi ver a rainha e falou:
“Agora eu posso partir, pois o príncipe está preparando-se para transformar-se em rei. Será um bom soberano, porque agora sabe que antes de poder governar os outros ele deve ser capaz de governar a si mesmo.”
A rainha, encantada, ofereceu-lhe um posto na corte, mas o ancião disse:
“Não. Tenho que continuar meu caminho, pois ainda tenho muito trabalho a fazer.”
Quando chegou o tempo em que se tornou rei, Hasan recordou as coisas que seu mestre lhe havia ensinado e governou bem e sabiamente até o final de sua vida.  

Extraído da obra: Histórias da Tradição Sufi
Edições Dervish